segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Ego natimorto

A minha vontade, é uma não vontade. O meu desejo, é um não querer.

O copo jaz pela metade no criado mudo ao lado esquerdo da cama, a luz do abajur e a garrafa vazia tombada no chão são testemunhas da dor.

Um maço de cigarros vazio, e outro recém aberto já quase chegando ao meio. Flameja a luz do isqueiro, e o ambiente é preenchido pelo característico aroma do THC.

Três tragos longos, seguidos de um pigarro, e depois a sensação de leveza e paz. Um sorriso ou dois olhando a fumaça desenhando figuras abstratas na sombra da lâmpada fraca do abajur.

Um pensamento recorrente desponta.
A minha vontade já nasce morta, assim como o ego que um dia foi meu.

O som da voz de Jim Morrison ecoa:

The killer awoke before dawn, he put his boots on / He took a face from the ancient gallery / And he walked on down the hall *

Mais 3 tragos longos. Um meio sorriso apenas. E as lágrimas finalmente rolam.

Não sei de se é tristeza, culpa ou apenas saudade. Mas sei que dói.

Não há mais fotos, nem planos, nem saída. Não tem mais jeito. Não tem mais amor.

Existem as lembranças, que ao mesmo tempo estancam e sangram a ferida. Não cicatriza, não passa, dói, só dói.

Pulsão dominante: de morte.
Não demora, é só mais um corte.

Doeu.
Escureceu.

Acabou.

(Sereia Pessoa)

* O assassino acordou antes do amanhecer, calçou suas botas / Pegou um rosto na antiga galeria / E seguiu pelo corredor (The End - The Doors)

sábado, 12 de setembro de 2015

Armadilha


Intelectualidade não traz felicidade
a sabedoria não se encontra nos livros da estante
estes, nada dizem de muito importante
servem apenas para aqueles que não sabem ler
a grande dádiva da vida que é viver

Diplomas não me deixam mais interessante
sabedoria de vida, é o conteúdo mais relevante
nossa existência não comunga com a razão
fique em silêncio e escute seu coração
não se iluda com intelectualidade nem com a iluminação

O homem que se diz sagaz, que se diz esperto
corre o grande risco de manter a estupidez sempre por perto



Vinícius Vieira Deiró

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Quanto vale ou é por quilo?

Em silêncio absoluto
Com os olhos e ouvidos cerrados
Eis que me surge uma questão
Quanto vale uma dose de vida?
Pra quem não sabe a medida
Faz da própria vida uma grande confusão


Vinícius Vieira Deiró

domingo, 6 de setembro de 2015

Serra dos Doze


Subir na vida
É chegar ao topo do monte
Auto realização
É beber água da fonte
E diante do extenso horizonte
Expandir a consciência e a visão
Compreender a existência
E se ver tão pequeno
Frente a tanta imensidão



Vinícius Vieira Deiró

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A flor e o palhaço

palhaço sem picadeiro
sem publico, nem alegria
sem  sua flor
a criatividade morre de asfixia

Musa inspiradora
não é privilégio da poesia
E no amor
que o palhaço se inspira
e compartilha sua alegria

Palhaço sem flor
piada sem amor
a lagrima que caiu
não trazia o sorriso
mas acompanhava a dor
escorreu pelo rosto
borrou a tinta bicolor

Palhaço sem amor
Piada de dor.



Vinícius Vieira Deiró

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Criação

Poesia em caneta e papel
Pés no chão me dão força
Inspiração não vem do céu

Os versos, sei como começar
Exploro ideais, sentimentos
Perco-me na hora de terminar

Palavras, frases sem ponto final
Poesias sem fim
Inspiração, um processo natural
Pegadas das viagens dentro de mim

Autoconhecimento, introspecção
Escrever os pensamentos e a emoção
Permitir o ódio, permitir o amor
Registrar o êxtase, e também a dor

Deixar a energia fluir de forma natural
Seja uma ideia louca
Seja uma ideia banal


Vinicius Vieira Deiró

sábado, 22 de agosto de 2015

Esqueci

entre palavras
brinco de escrever
declamo pra lembrar
e quando me esqueço
paro de brincar

em meio a sinapses
dissolvem-se no tempo
caem entre fendas
historias, contos e lendas



Vinícius Vieira Deiró

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Fim do mundo

Fim dos tempos
a rota de fuga
para escapar da angústia
de morrer sozinho.

Mal sabendo que ao nascer
já estava condenado
viver e morrer
em profunda solidão

Divisão do fardo
ter passado pela vida
e não ter se realizado

Vive-se sozinho
mas não se convive só
morre-se sozinho
mas não se ame só


Vinícius Vieira Deiró

sábado, 15 de agosto de 2015

Ganância Universal

A ganância se universaliza
Obras faraônicas
Personagens de presépio
Lotam os salões

Palmas para o ordenador de ovelhas
Aquele que pinta de branco o pelo negro
E esconde as latas no celeiro eleitoral.

Pseudo- moralistas
Exorcizam a critica
E te ofertam água ”batizada”

Meu Deus!
Santa onça pintada
O peixe foi multiplicado
Só esqueceram de compartilhar.



Vinícius Vieira Deiró

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Janela da Sala

A cena que antes era
Sinônimo de prisão
Hoje tem novo valor
Sugere-me
Outras oportunidades
As grades não existem ali
Não em meus olhos
Estes que começam a esboçar
Um possível despertar


Vinicius Vieira Deiró

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Os outros e os apaixonados inveterados

Ahhh! O amor...

Eu acredito piamente no amor. Não consigo imaginar uma vida sem ele.

Mas embora acredite no amor, também acredito que há maneiras e maneiras de vivê-lo. Acontece que pra o amor se desenvolver, uma dose forte de equilíbrio é necessária, e percebi que neste ponto, alguns nunca conseguem alcançar esse equilíbrio.

Há aqueles que pecam pela falta. Há outros, que pecam pelo excesso. Enquanto os primeiros erram por não conseguirem sentir, ou mesmo que sintam, não conseguirem se deixar levar, os segundos falham miseravelmente por não conseguirem controlar suas explosões de sentimentos. Aos primeiros, eu chamo os outros, aos segundos, apaixonados inveterados.

E o pior acontece, quando os dois tipos se encontram... Enquanto um mergulha fundo nas profundezas do amor e do desejo, o outro pede calma. Enquanto o outro racionaliza, e faz de tudo pra se proteger, o apaixonado inveterado, exige um pouco mais de alma.

Juntos, ambos lutam diariamente a guerra silenciosa do amor. E enquanto o apaixonado inveterado se rende e se entrega, o outro é que vê-se acuado, sentindo-se aprisionado.

Quando se esbarram pelo caminho, o outro e o apaixonado inveterado, eles algumas vezes tentam. O apaixonado inveterado se esforça pra trazer o outro consigo pra dentro da tempestade de descargas emocionais e químicas que chovem dentro dele. O outro, receoso de se molhar, veste capa, galochas e entra na chuva sem querer se molhar.

O tempo implacável passa, e a convivência se torna difícil. O apaixonado inveterado chora, enquanto o peito do outro se fecha ainda mais com medo de também sentir-se vulnerável.

Até que um dia, um dos dois se cansa de lutar uma guerra de sacrifícios ingloriosos. No fundo, os dois sabem que o amor não deveria exigir tanta luta.

Geralmente, é o outro que deixa o apaixonando inveterado, por medo de cada vez mais magoá-lo. Algumas vezes, mais raras, o apaixonado inveterado é quem vai embora, cansado de pedir pra que o outro abra a porta da frente, e se vendo ser guiado ao jardim dos fundos como resposta.

Independente de quem desiste primeiro, ambos sofrem e lamentam o fracasso.

O outro, vê na situação a confirmação de estava certo em manter seus receios e cuidados.

O apaixonado inveterado começa a perceber que talvez fosse ele que estivesse errado, e promete que não procurará uma próxima, mas que se uma próxima houver, será mais reservado.

Enquanto o outro segue sua vida como antes, o apaixonado inveterado muda. Se lembra das palavras que ouvia do outro, e começa a acreditar que o outro é que estava certo, e a partir daí, ao primeiro sinal de que vai começar a chover de novo, se mune de capa e galocha, e escolhe as marquises seguras da razão pra caminhar embaixo.

Deixou de ser um apaixonado inveterado, agora ele é também um outro...

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Online

Domingo, 6 horas da tarde. Tédio.
Ela pega o celular, clica no ícone verde do aplicativo de mensagens. Procura na lista de contatos, selecionando aquela janela que há pouco tempo atrás estaria no topo de suas conversas, e nunca mais sinalizou uma nova mensagem.

18h03, mesmo dia, mesmo tédio, outro canto da cidade. Ele acaba de responder em um grupo sobre um trabalho a ser apresentado dali há alguns dias. Abre a aba de contatos e lê o nome dela. Abre a janela, e abaixo do nome lê "online". Pensa em digitar um oi, pensa em como iniciar uma conversa, pensa em dizer que sente a falta dela, mas apenas pensa, quando de repente vê o "online" ser substituído por "escrevendo..."

18h04. Jogada de qualquer jeito no sofá da sala, ouvindo nos fones a música que sempre a fizera lembrar-se dele, digita com uma mão, enquanto a outra leva o cigarro à boca: "sinto tanto a sua falta, bem que você podia me chamar...". Dá um sorriso pro "online" abaixo do nome dele, e continua "...sei que você está aí, me chama, vai!". Seu polegar corre a tela até o botão de envio, mas sem hesitar, apaga as palavras escritas, e suspira olhando pro teto.

18h10. Ele vê o "escrevendo..." abaixo do nome dela, voltar ao "online" anterior. Dá um meio sorriso, esperando a mensagem, que não chega. Abre a foto dela, (in)felizmente não clica "sem querer" no botão de chamada de voz do canto superior, e observa que ela não sorri na foto preta e branca do perfil, assim como não sorria nas últimas três fotos dela que ele vira ali nas últimas semanas. O cabelo está mais curto, a maquiagem pesada, e a frase do status é a mesma que ela agora carrega tatuada no peito. Enquanto ele repara na foto, o "online" dela desaparece. Ele bloqueia a tela e volta sua atenção ao jogo do seu time na TV do quarto.

18h02. Ela troca a faixa da música, ouvindo o conselho sábio de mother Mary, let it be, let it be, let it be. Abre a foto dos dois sorrindo na piscina, e lembra de como era gostoso vê-lo sorrir daquele jeito depois de ouvi-la dizendo uma gracinha qualquer. Lembra de como gostava da sobrancelha dele, e do quanto as unhas sempre roídas dele eram bonitinhas. Não sabe porque ainda não apagou a foto, mas sabe que era o que deveria fazer e seguir em frente. Volta ao aplicativo de mensagens e vê que ele não está mais online. Responde que não pro convite das amigas do grupo pra uma cerveja, porque precisa estudar, mas ao invés disso, abre o editor de textos e começa mais uma carta que nunca será lida por ele.

18h25. O telefone dele notifica uma mensagem recebida, e ele checa desejando que fosse ela. Não é, e ele sequer responde. Joga o telefone de lado, e tenta se concentrar no jogo, mas não consegue. Pensa na última conversa que tiveram cara a cara, se lembra e sente muito pelos olhos vermelhos dela depois de ouvir o que ele tinha pra dizer. Se levanta pra buscar uma cerveja na geladeira, e ouve o celular notificar novamente, mas não se preocupa em checar. Dificilmente seria ela. Volta com a cerveja, coloca o telefone no silencioso, sem sequer olhar pra nova mensagem.

18h27. Ela para de escrever a carta na metade e decide falar com ele, tentar pela última vez. Digita um oi, envia, e aguarda uma resposta ansiosamente, pra enfim poder falar sobre o que sente.

18h31. Ele sai para comprar cigarros, deixando o telefone jogado em cima da cama. No caminho, encontra um amigo que o convida pra tomar algumas cervejas num bar do Centro da cidade. Ele resolve ir, mesmo odiando sair aos domingos.

20h55. Ela já tomou banho, derramou duas lágrimas, e resolveu encontrar as amigas num bar do Centro da cidade. Antes de sair, apaga o número dele da agenda do celular, depois de bloqueá-lo no aplicativo. Ela não se arriscaria mais a procurá-lo de novo, a ser ignorada de novo.

21h. Ele se despede do amigo, que o deixara em casa. Entra no quarto, e pega o celular, em meio ás mensagens dos grupos, um "oi" deixado por ela algumas horas atrás. Ele responde animado "Oi! Tudo bem?"

O celular dela não notifica.

No dele, nenhum risquinho confirma a mensagem recebida.

Ele balança a cabeça.

Ela, engole de uma vez, o copo cheio de cerveja, mas o que amarga mesmo é a saudade que sente.

Ele desiste de esperar a resposta dela e vai tentar dormir.

FIM (?)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Vende-se tudo que é comprável

Queimaram a vida
Acabou o mundo de cores
Extinguiram os perfumes das flores
Água podre na terra do cinza
Esgoto, lixo entre outros odores

Comprem suas drogas
Tem da preta e da vermelha
No Brasil tem tarja amarela também
Compre a pílula e ganhe a doença
Cocaína, cafeína e nicotina
Largo todas pela fluoxetina

É difícil ser saudável
Em alguns lugares chega a ser ilícito


Vinícius Vieira Deiró

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Meditação

O que penso sobre as coisas?
Qual a minha opinião sobre causas e consequências?
Tenho meditado sobre o Mundo, sobre a Vida
Quase nada sobre nossa criação
Não tenho o que dizer a respeito
Na verdade, nem me preocupo
Pensar nisso, é interromper o processo
É pausar a viagem e não curtir a paisagem
Prefiro prosseguir, transcender, evoluir
e contemplar tudo que encontrei por aqui


Vinícius Vieira Deiró

domingo, 26 de julho de 2015

De ver gente (o que nos separa)

preto, branco, pardo e amarelo
gordo, gordinho, bombado e magrelo
sádico, perverso humanista
coxinha, tucano, esquerdista, comunista
miserável, classe média, média alta e pobre
cavalheiro, mal educado, plebeu, nobre
sedentário, ocioso, ativo, atleta
simpático, interessante, intelectual, pateta

diversas etiquetas

todas distribuídas dentro da mesma fábrica



Vinícius Vieira Deiró

sábado, 18 de julho de 2015

Sobre a sabedoria da vida

tio Raimundo
homem de conhecimento profundo
me propôs uma questão
o homem é cria ou criador do mundo?


Vinícius Vieira Deiró

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Barulho por extenso

trim, trim, triiim
tic-tac, tic-tac, tic-tac
biiii, biiii, biiii

ta ratatatata, tata ratatata
piuí, piuí, piuí
tbum, crash, tchibum
tec, tec, tec,

ion, ion, ion, ion
tss, tsss
pssssss
tutututututu
crack


BOOOM!!!



Graça Barreto

sábado, 11 de julho de 2015

Vício-versa

Licença poética eu peço
E vos digo
O meu vício é o verso
Minhas poesias
Fluem de forma natural
Ideias lindas e revolucionárias
Num pedaço de folha banal

Minhas rimas
São reflexos da minha condição
Pobre
Pois de nobre
Tenho apenas o coração
Coração que dá vida ao verso

E vice-versa




Vinícius Vieira Deiró

terça-feira, 7 de julho de 2015

Poesia


Poesia não precisa de rima
não carece de cenário
muito menos de tempo

poesia é algo que não se explica
não se entende, nem se revela
poesia se lê para sentir

não se traduz uma poesia
mas sim a poesia que traduz
os pensamentos, emoções e a vida

a poesia não tem pressa
nem mania de grandeza
a poesia é extensão da alma.



Vinícius Vieira Deiró

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Amor eterno

O amor é terno
é calça e camisa
é laço de gravata
estampada e lisa

O amor é livro
em um idioma peculiar
ideogramas engraçados
em versos atrapalhados

O amor é história
de você, de mim
juntos em prece
até o fim



Vinícius Vieira Deiró

terça-feira, 30 de junho de 2015

Algumas considerações sobre o tempo não vivido

uma viagem de ônibus pelas ruas da metrópole mineira me proporcionou um momento de reflexão claro, reflexão após um terrível duelo; me atentar as notificações do smartphone, ou olhar pela janela?

Por algum motivo, me peguei olhando para praça da estação, para as nuvens que envolviam a Serra do Curral e para as pessoas indo trabalhar. Percebi o quanto o tempo pinga feito água gotejando de uma torneira velha, cada gota que caí, são alguns segundos que vão para o ralo, e só nos damos conta dessas gotas que desperdiçamos quando a caixa d´água seca.

Quantos almoços com a turma foram desmarcados em nome  daquela junky food? Na tentativa de ganhar tempo para voltar ao trabalho, perdi qualidade de vida, e se eu não tivesse decidido olhar pela janela, teria me resumido a minha insignificância metropolitana?

Talvez não, teria desperdiçado meu tempo verificando pseudo verdades no meu feed de noticias. A humanidade aperfeiçoou os aparelhos eletrônicos, criou novas drogas, o homem gourmertizou suas necessidades fisiológicas e a cada década que passa, menos aproveitamos o tempo, no final do ano, contabilizamos cerca de 20 dias foram desperdiçados reclamando da falta de tempo. O tempo não nos falta, não enquanto ainda estivermos em vida, pois, quando essa se esgotar e a última gota pingar
aí sim, não teremos mais tempo.



Vinícius Vieira Deiró

Auroras

Nessas horas
procuro minha viola
através da trilha sonora
o sentimento se aflora

Aos poucos se elabora
a alma revigora
nessa trilha de historias
almejando novas auroras...

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Exageradamente Humano

ser exageradamente humano
é ser simplesmente humano
pois não há nada mais demasiado
que o Homem

o mundo não é exagerado
ele não finge, não cria tramas
nem reflete a própria existência
cabe ao Homem o dom do exagero e da consciência

cabe ao Homem os sentimentos, as emoções
se perder no ódio e nas paixões
e cegar-se para a razão

certas coisas cabem apenas ao Homem
como calar ou dar voz
à um pobre coração



Vinícius Vieira Deiró




domingo, 21 de junho de 2015

Soneto da falta de criatividade

por onde anda tal força criadora?
procurei pelas ruas e não a encontrei
busquei no alto da serra, na cidade vizinha
e também não achei

revisitei aquele livro que outrora me inspirou
e não encontrei nenhum sinal
escutei aquela música que dá asas ao pensamento
debalde, só lamento

me pergunto, onde está a criatividade?
busquei a fundo nos dias tristes e frios
também nós dias quentes e de felicidade

desesperado eu fiz uma oração
força criadora, que gerou infinitos versos

não esqueça de mim não




Vinícius Vieira Deiró

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Miragem

Deus é uma viagem
a vida é uma miragem
estar vivo é um absurdo
respirar é um milagre

Imagina que loucura
criar os neurônios
as organelas celulares
os rios, o sol e as arvores

Deus é o criador
nós somos uma viagem
o mundo
uma miragem




Vinícius Vieira Deiró

terça-feira, 16 de junho de 2015

Inspiração por falta de inspiração


Houve um dia em que eu estivera apático no pensamento
Um dia em que se olhava a rua e não se via um só movimento
Um dia em que o sol rendeu-se a chuva
Um dia em que o melhor a se fazer era contemplar a lua

Bem quisera eu ter alguma idéia para redigir
Naquele dia... Naquela noite tentei ir dormir
Ficava imaginando coisas, pensando nas pessoas

Pensava até em mim mesmo
E em como faria pra redigir algum texto
Tentei ouvir Count Basie, ícone do jazz
Remédio para todo aquele stress

A falta de palavras, de imaginação
Tudo aquilo me consumia ate então
Mas na verdade quando percebi tudo não passava de inspiração


Guilherme Antônio R. Santos

domingo, 14 de junho de 2015

Beleza natural

a natureza não é bela
não é verde, não é azul
a luz do sol
não é amarela

a natureza não é feia
o natural é divino
não cabe outro adjetivo
o natural não é subjetivo

na casa Mundo
o Mundo não é, ele está
as coisas do homem são
são rotuladas

o divino não cabe em rotulo
o divino não é classificado
o divino é apenas contemplado



Vinícius Vieira Deiró

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Hemorragia

quem nunca cortou a pele
não conhece o sangue que tem
quem nunca amou de verdade
não sabe o que é perder alguém

quem nunca caiu no chão
não sabe o que é se levantar
quem omitiu que não sabia
não aprendeu a dançar

quem nunca escutou de verdade
pouco compreende o que fala
deixou de fazer milhões de viagens
por medo de perder a mala

quem nunca sentiu dor
não sabe o que é prazer
quem nunca viveu de verdade
também irá morrer



Vinícius Vieira Deiró

domingo, 7 de junho de 2015

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O poder da palavra

a palavra tem poder
o poder de atrair
pro inseguro ela se faz buraco
apenas pra lhe ver cair

a palavra tem poder
poder de nos levar a ser
e se eu vier mudar de ideia
a palavra certa é amadurecer

a palavra tem poder
poder de confortar a alma
despertar uma boa lembrança
e dar à luz a palavra esperança

a palavra tem poder
poder de nos levar mais além
para nos fazer transcender
uso a palavra Amém!


Vinícius Vieira Deiró

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Crônica Jurídica

Peço licença pra somar e agregar caros colegas!
Portanto saindo um pouco da linha poética e diversificando conteúdos
Deixo com vocês

Crônica Jurídica


Javier Aquino Mendes, filho de índia boliviana e pai garimpeiro. Era natural de Manaus entrou no bar do seu Mazinho, lugar que frequentava todas as sextas feiras depois de um dia de árduo trabalho na floresta, extraindo látex.

Aquino andava armado, pois vivia em uma região remota do estado do Acre onde segundo suas crenças a lei que imperava era a da bala e a da borracha (ele não era o único que pensava assim). Como todo cabra macho ele pediu uma cachaça e pôs se a beber, jogar sinuca com os amigos e flertar com as prostitutas que lá ganhavam a vida.

Foi então que de repente Aquino pôs-se a discutir com um estranho que naquele dia também estava no bar. O estranho ofendeu uma das prostitutas que era amiga de Aquino e também possuía um caso amoroso com ele. A ofensa foi o estopim para uma briga (coisa que não era muito rara ali dentro).

Aquino farto de tanta conversa mole, sacou sua arma da cintura e realizou 3 disparos no estranho, matando o instantaneamente... Gritos ecoaram pelo local e por incrível que pareça a policia não levou muito tempo para aparecer e dar voz de prisão a Aquino.
Naquela altura a pena máxima para o crime de homicídio podia chegar até 20 anos de prisão... Bem Aquino fora preso numa Sexta feira, dia 25 de abril de 2011 e na segunda feira dia 28 a lei sofre uma mudança e a pena máxima para quem comete crime de homicídio passa a ser de 35 anos.
Aquino é jogado as traças na cadeia. Lá ele vai apodrecendo como lixo, enquanto aguarda seu julgamento e espera que seus advogados façam magica para que sua pena não passe dos 20 anos. Afinal o tal estranho que ele tirara a vida atendia pela alcunha de Luís da Silva Mendes, filho do prefeito e dono do terreno onde Aquino extraia o látex e seu sustento.

FIM?!  

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O sono do dia

Fim de tarde
Sala, travesseiro, sofá
Televisão não
Assistia a janela.

Com os olhos fechados
Vi o sol partir
Mergulhar entre nuvens e prédios
A ausência de luz
Apagou-me

Dormiu o dia.


Graça Barreto

como será?

Lembro de  minha infância
Imaginação era de extrema importância.
Durante horas sentado
Interagindo com quem estava ao meu lado,
 fui Jaspion, black kamen rider e cavaleiro.
Curtia altas aventuras  sempre sem gastar dinheiro,
Mas cada época exige uma cobrança.
Fico imaginado como foi e será ser criança,
 se hoje só se vê uma importância.
Exigir um futuro adulto, de quem está
Apenas na infância.

domingo, 31 de maio de 2015

Vertigem

Se no alto de um prédio eu subisse
Quando lá de cima o chão avistasse
As vozes na minha cabeça
Pedindo pra que eu pulasse
Quando todas as marcas do tempo
E de um passado de dor me marcassem
Querendo me jogar ao vento
Do som do teu riso lembrasse
E dentro do meu mundo vazio
Um foco de luz avistasse
Talvez esboçasse um sorriso
Talvez isso me torturasse
Quando a tontura me atingisse
E o foco da vista turvasse
A certeza de partir viesse
E da culpa talvez me livrasse
Chamaria teu nome baixinho
E mesmo que tu não me alcançasse
Mesmo que tu nunca saibas
Mesmo que nem imaginasse
Voltaria correndo pra casa
Pra que ao ver-te de longe e dormindo
Outro dia minha vida salvasse
Talvez nem devesse ser sua, pequena
A grande responsabilidade
De manter vivo um coração
Que sem ti, sem razão viveria
Que sem ti, bem melhor que parasse

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Fora de Lugar

Na cadeira frente à mesa
Sentou-se um peixe vermelho
o qual se pôs a me observar
através do vidro do aquário
Ele fazia suas bolhas d´ água no ar
Parecia-me que algumas coisas
Estavam fora do lugar
Sentia-me perdido,
Peixe dentro do aquário
Peixe fora do mar.


Graça Barreto

terça-feira, 26 de maio de 2015

Desejos...

Eu quero, eu quero, eu quero!!!
Eu sou, eu sou, eu sou!!!
Até quando viveremos na ignorância
E entenderemos que é a vida, que escolha a musica
Que a gente dança!?

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Olhar de Medusa

Desde que a conheci
Soube
Era preciso manter uma distância segura
De sua boca bem desenhada

Desde que trocamos as primeiras palavras
Entendi
Que se permitisse
Ela me levaria pelas mãos suaves
Pela estrada sinuosa do seu corpo

Desde que a vi
Quis
Me perder em teu olhar de Medusa
Que me captura e petrifica
Me encanta e apavora

sábado, 23 de maio de 2015

Falta de inspiração

por falta de leitura
faço a poesia da rocha
com a palavra seca e dura

por preguiça
faço a poesia vazia
sem conteúdo, enchendo linguiça

num vôo ao espaço
faço a poesia livre
gravidade zero
sem rima, métrica ou com paço.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Criando-se

a cria atura
seu criador
não estando à mesma altura
faz dele seu senhor
sentido para vida
remédio para dor
criatura
cria dor

terça-feira, 19 de maio de 2015

Paradoxo


Estou tremendo de medo, desesperado, sem saber o porquê ...
Quem é essa pessoa?
O que tudo isso significa?
Não compreendo tal agressividade, nunca o vi antes. Se bem, lembro-me pouco de como cheguei aqui, não sei o nome dessa rua. Mas a casa... essa casa, tem alguma coisa que me atraiu, aguçou meus sentidos, como que entrasse em situação de ataque ou fuga e resolvi entrar.
Sua frente tinha um lindo jardim, com varias flores, entre elas uma que mais me chamou a atenção. Parecia surgir do lodo, de algo que parecia um dia ter sido um lago; com sua cor azulada, destacava em meio tal cenário. Gotas de orvalho, escorria por suas pétalas, com um brilho exuberante.
Passei um tempo admirando-a, quando escutei meu nome. O timbre da voz, era de alguém que tinha intima relação.
Quando notei, haviam passado várias horas e julgue ter sofrido uma alucinação auditiva, por estar em outro nível de pensamento, devido ao momento de contemplação da tal planta e decidi ir embora.
Comecei a caminhar angustiado com a imagem da flor em minha mente.
Qual seu significado?
Tem relação com o que estou sentindo?
De repente escuto novamente, mas agora é: Carlos de Jesus Lopes !!!
Não pode ser!!!!! Minhas mãos suam, coração acelera...
Penso: calma é só um nome!
Quando percebo estou diante da porta, escutando os passos em minha direção.
Ela se abre, uma bela mulher se revela e sem delongas, pega-me pelas mãos, e me guia até uma sala, onde varias recordações vem à tona. Então, logo em seguida, entra seu filho. Alguma coisa faz sentir que realmente sou eu, mas não fisicamente, como pode uma coisa dessa?
Acabo de vê-lo e acho que se parece comigo ou melhor lembra, quando era garoto e inevitavelmente, invade uma imensa vontade de chorar. Pergunto onde é o banheiro.
E aqui estou, preso desesperado, com tal agressividade que meus sentimentos manifestaram, diante de um indivíduo que não me lembro de conhecer e que nem sei se tenho coragem de enfrenta-lo...


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Ressaca

Abro os olhos primeiro
Acordo depois
A cabeça gira
O corpo reclama
Água
Banheiro
E volto pra cama

domingo, 17 de maio de 2015

Lembro

lembro sempre de você
que esgota minha paciência
e me deixa de presente
uma nova consciência
sim, quase sempre consciente.

quase sempre sim
lembra o dia que me prendeu?
estive ali, no tempo congelado
até o nascer do sol que derreteu
que alívio, não estava mais paralisado

lembra daquele amigo meu?
que estava entre as bananeiras
ele via pessoas azuis
o laranja era eu.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Eternidade

Ao meu lado a morte está
bem que queria poder não te desejar
mas minha curiosidade
esse sentimento de querer a verdade
e poder dizer que não existe eternidade
para que possamos não somente viver
pela metade
e assim talvez  mudar a realidade
pensando nas próximas gerações
que essa é a unica eternidade
e que deixemos de ser covarde
e façamos hoje sem pensar na imortalidade
pois  só a morte pode trazer a verdade
e com certeza não vai quere saber
que viveu pela metade pensando na
eternidade...

terça-feira, 12 de maio de 2015

Suspiro

durante o voo que me inspira
vejo nas ruas
a felicidade que suspira.

brincadeira de criança
soprar bolhas de sabão
à margem da via
correr na contra mão

entre carros e fumaça
passou despercebida
cena digna de pintura
no fim da rua sem saída

olhar curioso de criança
pequeno grande sábio
durante o contato visual
um sorriso escapou entre os lábios.

Momentos


Queria escrever, mas seria coisa triste.
Peguei meu violão para que isso não persiste.
Mas de tristeza vou vivendo
E cada dia me surpreendendo.
Que a medida que o tempo passa
 da minha tristeza vou achando graça.
Pois tristeza é aprendizado
E como a alegria  algo isolado.
Que na vida acontece,
Quando se larga a prece.
E vive o momento
 em que se passa o tormento,
como algo transitório
nada que seja digno de velório.
Assim, quando a alegria der sua graça,
simplesmente pule de cabeça, faça!
por que assim como a tristeza; também passa....

domingo, 10 de maio de 2015

Por hora sou. Logo, nem isso.

"Penso, logo existo"
Por vezes desisto
Por outras persisto

Sinto, escondo, minto
Falo, escrevo, me ressinto

Reivento e tento
Aceleiro o processo
E o meu já não é lento

"Vim, vi e venci"
Mas não esqueço de quando caí

Faço
Desejo
Sonho

Realizo
Crio
Invento

Por enquanto, eu sou
Existo!
Logo mais, até mais!
nem isso.

Duas crianças

Duas crianças caminham, com o luar às iluminar
Sua faca e  tesoura os seus sonhos perturbar.
Querem você vivo, pois isso lhe convém.
Criando novas fantasias, o que por ai é o que mais tem.
Suas armas, utilizam  de modo velado, com isso nem percebe que está sendo controlado.
Fazendo esquecer que quem as alimenta é você, fechando seus olhos, para seu ego satisfazer.

E quando perceber que essas crianças só existem em você, novamente seus sonhos irão florescer...

sábado, 9 de maio de 2015

Um quadro do imaginário

Imaginação
imagem e ação
se movem com velocidade
vão além dos limites
Criatividade
imagens e ações
cria das atividades
produtos de associações
Recorde as ações
recordação
a memória auxilia...
...a imaginação...
... aguça a criatividade
trabalhar a experiência
valoriza a própria vida
exalta a existência.


Graça Barreto

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Não me importo


Nas sombras te vejo distante,
Durante tempo quis te ter.           
Mas hoje não me importo mais!
Você nunca quis realmente sair das sombras,
O que me corroeu muito, pois o que só queria era te conhecer.
Mas hoje não me importo mais!
Escapavam doce amostra de seu ser, o que me instigava 
 Mesmo distante, ao seu lado permanecer…
Mas hoje não me importo mais!
Teus olhos continham um brilho por entre as sombras
 que me fascinou e transformou nessa obsessão
Mas hoje não me importo mais!
Todas essa coisas, já não me importo mais.
Não importo como esse desejo de desvelar-te!

E continuarei não me importando…

segunda-feira, 4 de maio de 2015

No caminho pra casa



De repente estou no meio do caos, pessoas correndo desesperadas, outras pedindo ajuda; morrendo de fome!! Mas ninguém pode ajuda-las, pois estão extremamente aflitos, não podem perder seu tempo se preocupando com essas pessoas, que na maioria estão mutiladas, tanto físico e psicologicamente, já são considerados estorvos para a sociedade. Fico angustiado pensando, sem ter o que fazer... paro entro no ônibus e continuo com essa angustia em meu peito.

Desejo é desejo de desejo

Sonho, não nego
Realizo quando puder
Isso, se e apenas se der

Mais que a vontade
Desejo
Não apenas por algo em si
Mas apenas o desejo de querer

Enquanto houver vida
Que exista o desejo
O doce apego ao dom de desejar

domingo, 3 de maio de 2015

Lisergia

Parti, ganhei altitude e plainei
pelo espaço flutuei
os anéis de saturno usavam dedos
o sol estava pendurado num colar.
Fonte da vida, da morte
do infinito e do nada.
A arquiteta dos planos
apagou as estrelas menores e com
um breve sopro me devolveu o chão e
a cabeça que eu havia perdido algumas horas atrás.

Graça Barreto

A representação


O que mais me atrai no ser humano é ser humano,
Pois ser humano é mais do que olho, boca e dente.
É o conjunto de histórias, que traz consigo em sua mente.
E as representações que farei sobre o referente,
ao contrário de suas formas,

Me marcaram eternamente...

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Vou te incomodar

Sim, estarei presente
Ainda que ausente, estarei lá
Por mais que tente
Por mais que diga que não sente
Vou te incomodar

Ainda que sem dor
Mesmo sem amor
Serei a lembrança que não cessa
Aquilo que te distrai quando tem pressa
O arrepio frio que te dá
Sim, estarei lá
É, eu vou te incomodar

Na preguiça de domingo
Num barzinho com os amigos
Na sensação de que algo falta
Mesmo que não me queira a sua volta
Você sabe, estarei lá
Desculpe, eu vou te incomodar

Nas lembranças mais remotas
Na sua ressaca idiota
Enquanto finge que esqueceu
No seu choro mais contido
No suspiro, no sorriso
Quando a festa acabar.

Sim, eu vou te incomodar.
É, meu bem, vou estar lá!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Vazia

a cadeira encontra-se vazia
sim, bem ao meu lado
porem, vazia.
convido-te a sentar-se
relaxe, fique a vontade
sente-se enquanto eu sinto
a paz, a ansiedade
sinto a dor da distância,
o amor de verdade.
a cadeira permanece vazia
na penumbra
uma mulher amável.

Casca de ovo

Sempre me entrego de cabeça, mas de um jeito meticuloso.

Como que pisando em casca ovo, para que nenhum imprevisto venha ser doloroso.

Pois, assim é a vida chegadas e despedidas.

E nela todas as coisas podem ser resolvidas, porem
podem fazer feridas.

Por isso vou sendo presunçoso, pisando em casaca do ovo...

terça-feira, 28 de abril de 2015

Ventania

Entrou na minha vida como um furacão
Varreu pra longe os destroços da tempestade anterior
Ventou forte em meu coração
Até que eu sentisse dificuldade pra respirar
Abri a janela pra fazer o ar circular
Saiu por ela pra não mais voltar
A bagunça que ficou hoje
É maior que a de antes

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Prece

bela moça de olhos castanhos
olhos tão vivos que me desatina
peço que Deus seja meu camarada
e te coloque em minha sina.

sábado, 25 de abril de 2015

O querer

Queremos o que queremos ou
queremos o não querer?

A sociedade quer que queiramos
o seu querer, mas o que realmente
queremos é poder querer.

O querer dela, quer que sejamos
queridos pelo que temos e nos
enganamos achando que queremos
o que ela quer.

Então queremos o que queremos
ou queremos o não querer?

Se queremos o não querer, um dia
podremos verdadeiramente querer
e não somente querer o que oque querem
que queiramos.

Continuo pensando, queremos o que queremos
ou queremos o não querer...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

“eres” das angustias

 Ser, ter, obter
 vencer, oferecer, permanecer
 manter, merecer, poder
 comer fazer, ler
 correr, varrer, trazer
 vender, mexer, merecer
 envelhecer, envaidecer, entristecer
 enriquecer, bater, responder
 atender, colher, ver
 saber, escolher, aprender
 esconder, crescer, esquecer
 combater, vencer, entreter... 
 Com tantos‘er’, tem que ter muito querer
 para poder viver...

terça-feira, 21 de abril de 2015

Poema de rodoviária

reunidos, milhares de destinos
e eu aqui, preso a minha sina
prisão que tormenta
saudade que desatina
nasce a vontade de partir
receio, cresce o desejo de ficar
duvida, vontade de sumir
me perder na estrada, me desligar
quero me libertar
ser para o mundo
cair na vida é a lei do sonho
sonho de um vagabundo
sentado num banco de rodoviária.

Caminho das águas

Sentado na orla, fico observando as pequenas ondas e imaginando que são formadas por forças externas, que entram em contato com a água, formando essa pequenas ondas. Dando a ilusão que cada onda é uma onda em si, independente uma da outra. E por algum tempo acabo me esquecendo. Que no final, acabam escoando para o mesmo lugar....

sábado, 18 de abril de 2015

Ao seu lado

Estando do seu lado me sinto seguro, porem com medo de nunca te ter Meus olhos vibram de alegria ao te ver e ao mesmo tempo lacrimejam pensando que um dia nunca mais poderei te ver... E nessa confusão de sentimentos prefiro continuar estando, mas sem nunca pertencer...

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Navegante

há mar
uma imensidão a se explorar
sinto o torpor
forte desejo de navegar
me perder na imensidão
deste mar verbo amar.

Que graça tem?

Podem me dizer
Até com certa razão
Que só
chegaria mais rápido a qualquer lugar
Mas, meu bem, me diz!
Que graça tem?
Se ao teu lado a estrada é mais bonita
Se contigo o sol brilha mais
Se andando junto tudo fica mais divertido

Podem até me dizer com certa razão
Que só
o meu coração
Bate bem mais tranquilo
Mas que graça tem?
Me diz meu bem!
Se ele bate bem mais feliz ao ver o teu sorriso

Podem até me dizer
Com toda razão
Que só
eu dou conta do mundo
É que é bem possível ser feliz sozinho
Mas que graça tem?
Porque, meu bem, eu sei que vou mais longe se você for comigo.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O prisma

Sempre fui pessimista, inseguro e muitas vezes insensato. Penso todos modos que algo pode acontecer de formas mórbidas, repugnantes e trágicas. Então algo acontece. E como se olhasse por um prisma, toda essa energia se transforma Em lindas cores e agora percebo um mundo colorido e instigante. Porem algumas cores ainda me causam estranhamento, receio e até medo, mas vou caminhando e olhando por esse prisma, desejando que sempre esteja em sua presença, para quem saiba um dia posso tornar-me um.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Estranhos

As pessoas são estranhas quando não as conhecemos,

Outras ainda mais quando as conhecemos!

O novo é estranho, o desconhecido também é estranho.

Então somos todos estranhos.

O que não entendo é separar estranhos de estranho e não viver essa estranheza juntos...


Todo começo é caos

Coração acelerado
Ansiedade
Dúvidas
Incertezas
Vontade
Muita vontade

Brilho no olhar
Felicidade
Sonhos
Desejos
Muitos desejos

Todo começo é caos

Um mar de risos
Só risos?
Rasos
Profundos
Rios

Todo começo é caos

Mais
Muito mais
Sossega
Mas não trás paz

Todo começo é caos
Todo começo é cais

sábado, 11 de abril de 2015

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Ser-humano-ilha

Sinto-te só...
Cercado por outros, 
ignorado por todos
Pura e simplesmente, 
dura e tão somente só...

Um ser-humano-ilha: 
porção de pele, ossos, alma e carne 
cercada de gente por todos os lados
e ainda assim só...

Sinto-te longe
como um pôr-do-sol no horizonte
Um sol imponente, 
que espalha com esplendor seus raios
beleza de tal sorte pura e inabalável
Feita para o deleite da visão e a insatisfação do tato
que insiste e procura-te, 
ainda que sabendo-te inalcançável

E apesar de tanta beleza, ainda sinto-te só.

Sinto-te triste
Pequena chama de vela imersa numa vasta escuridão
Chama fraca de luz vacilante
Iluminando tão pouco, 
apenas o bastante para as trevas não se instalarem de vez
não dominarem outra vez

Mas acima de tudo, sinto-te só.

Sinto-te tanto,
adivinho-te, encontro-te, deixo-te, esqueço-te,
mato-te, morro-te, amo-te.

Sinto-te eu
Sinto-te meu
Abaixo do mundo, no fundo de tudo
Sinto-te igual, sinto-te bem, sinto-me mal...
Sinto-te aqui, sinto-te lá, sinto-me má...
Sinto-te todo, sinto-te, provo-te, provoco-te

E com tua ausência, sinto-me só:
um ser-humano-ilha: 
porção de pele, ossos, alma e carne 
cercada de gente por todos os lados
e ainda assim só...

Recado

Acordou cedo.
Abriu a janela.
Sorriu. Chovia.
Dentro dela, não.
Depois da tempestade.
Depois de quase morrer de saudade.
Depois de abandonar o peso daquele luto.
Descobriu que, apesar da chuva, em seu peito se abria maior sol.

Respirou fundo.
Fechou os olhos aspirando o cheiro da terra molhada.
Em sua mente, a imagem que viu surgir dessa vez foi diferente.
Sorriu de novo.

Buscou papel e caneta.
Escreveu pra si mesma um recado.

"A vida segue. Sempre!
Boa sorte. Se jogue.
Esqueça o cuidado."

Colou o bilhete no espelho.
Ligou o rádio no mais alto volume.
Saiu pro quintal.
Dançar na chuva.

A vida, meu bem, continua!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Eis a figura maldita do poeta

meu amigo poeta
há quem diga que sua condição de trabalhar com a palavras
é dom concebido por Deus
mera ilusão, ou você não concorda comigo?
ser poeta é carregar um fardo ao londo da vida
um fardo de angustias, incompreensões e receios
a poesia nos traz as mazelas do mundo
revela os demônios que habitam o intimo do ser
criaturas incompreendidas no mundo normal
normalidade tão fictícia quanto nossos devaneios
ser poeta e aventurar-se pelos extremos do mundo
é colidir com cada quina existente dentro do globo terrestre
meu amigo, ser poeta é ser louco, ser criança e visionário
tudo isso ao mesmo tempo, tudo isso em uma pessoa só.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Onde fica a matriz?

que atire a primeira pedra
aquele que nunca se perdeu em um sonho
ao ponto de confundi-lo com a realidade
mas qual a relação entre verdade e realidade?
e entre o sonho e fantasia?
poderia ser o sonho uma verdade?
a quem acredite na Verdade
outros em seus Sonhos
minha crença é verossímil
não falo mentiras, nem tão pouco verdades
ninguem vive apenas nos sonhos, tão pouco apenas na realidade
onde me encontro? me encontro em minhas Vontades

sexta-feira, 27 de março de 2015

O poder

ser ou não ser? eis a questão
dizer sim para o mundo
em busca da plenitude
ou regredir e dizer não
a grande dádiva da vida
é também origem das angustias
o direito e o dever da escolha
cair no mundo, ou viver numa bolha
há quem mergulhe de cabeça
o ingênuo opta pela omissão
sem saber que a não escolha
é no fundo uma decisão

domingo, 22 de março de 2015

Cidadezinha qualquer

sexta feira da paixão, dia cinza
em uma cidadezinha qualquer
aventuro-me pelas ladeiras históricas 
lembranças do tempo de criança
atravessar o centro de bicicleta
pedalar pela Exposição, Canal da Praia e João Pinheiro
ao subir o Moinho Velho busco forças
no aroma do almoço preparado pelas Donas Marias.
subo a ladeira devagar
o fusca também sobe devagar
devagar a chuva cai.
o cachorro se escondeu no viaduto
o burro, há muito não o vejo pelas ruas
as janelas leem a nostalgia em poesia
eita vida boa meu Deus!

quinta-feira, 19 de março de 2015

Eu desfocado

sou poço sem fundo
buraco negro no centro do mundo
sou caminho sem fim
torno-me pessoa distante de mim
sou a personificação da Falta
a Falta que me falta
sou ausência, necessidade
fonte, gênese da saudade
sou vazio, sou ausente
minha presença me enlouquece
minha ausência me deixa doente

sábado, 14 de março de 2015

Leveza

um cigarro de palha
uma praça tranquila
moça bonita boa de prosa
leve e espontânea
o invejoso trouxe a chuva
a moça trouxe a sombrinha
ficou ate mais agradável
sentir a pele dela junto a minha

terça-feira, 10 de março de 2015

Criado mudo

criado
mudo
estático
ao mesmo tempo
móvel
sem voz
apático.
mudar
é um processo
catártico
tornar ativo
um ser/objeto
estático.

sexta-feira, 6 de março de 2015

existo, sinto, penso

não penso para provar a existência
existo porque estou no mundo
dê me paciência
pensamento não é a prova da existência

não penso para vir existir
simplesmente existo
e também penso
e também desisto

penso 
e agrego valor a minha existência
existo
e sei que um dia irei deixar de existir

Mas enquanto isso eu existo
e também penso
e não menos importante
eu também sinto

Sentir
tão fundamental
quase tão importante 
quanto existir.

pensar, sentir, existir
me cabe o devir