quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Criação

Poesia em caneta e papel
Pés no chão me dão força
Inspiração não vem do céu

Os versos, sei como começar
Exploro ideais, sentimentos
Perco-me na hora de terminar

Palavras, frases sem ponto final
Poesias sem fim
Inspiração, um processo natural
Pegadas das viagens dentro de mim

Autoconhecimento, introspecção
Escrever os pensamentos e a emoção
Permitir o ódio, permitir o amor
Registrar o êxtase, e também a dor

Deixar a energia fluir de forma natural
Seja uma ideia louca
Seja uma ideia banal


Vinicius Vieira Deiró

sábado, 22 de agosto de 2015

Esqueci

entre palavras
brinco de escrever
declamo pra lembrar
e quando me esqueço
paro de brincar

em meio a sinapses
dissolvem-se no tempo
caem entre fendas
historias, contos e lendas



Vinícius Vieira Deiró

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Fim do mundo

Fim dos tempos
a rota de fuga
para escapar da angústia
de morrer sozinho.

Mal sabendo que ao nascer
já estava condenado
viver e morrer
em profunda solidão

Divisão do fardo
ter passado pela vida
e não ter se realizado

Vive-se sozinho
mas não se convive só
morre-se sozinho
mas não se ame só


Vinícius Vieira Deiró

sábado, 15 de agosto de 2015

Ganância Universal

A ganância se universaliza
Obras faraônicas
Personagens de presépio
Lotam os salões

Palmas para o ordenador de ovelhas
Aquele que pinta de branco o pelo negro
E esconde as latas no celeiro eleitoral.

Pseudo- moralistas
Exorcizam a critica
E te ofertam água ”batizada”

Meu Deus!
Santa onça pintada
O peixe foi multiplicado
Só esqueceram de compartilhar.



Vinícius Vieira Deiró

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Janela da Sala

A cena que antes era
Sinônimo de prisão
Hoje tem novo valor
Sugere-me
Outras oportunidades
As grades não existem ali
Não em meus olhos
Estes que começam a esboçar
Um possível despertar


Vinicius Vieira Deiró

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Os outros e os apaixonados inveterados

Ahhh! O amor...

Eu acredito piamente no amor. Não consigo imaginar uma vida sem ele.

Mas embora acredite no amor, também acredito que há maneiras e maneiras de vivê-lo. Acontece que pra o amor se desenvolver, uma dose forte de equilíbrio é necessária, e percebi que neste ponto, alguns nunca conseguem alcançar esse equilíbrio.

Há aqueles que pecam pela falta. Há outros, que pecam pelo excesso. Enquanto os primeiros erram por não conseguirem sentir, ou mesmo que sintam, não conseguirem se deixar levar, os segundos falham miseravelmente por não conseguirem controlar suas explosões de sentimentos. Aos primeiros, eu chamo os outros, aos segundos, apaixonados inveterados.

E o pior acontece, quando os dois tipos se encontram... Enquanto um mergulha fundo nas profundezas do amor e do desejo, o outro pede calma. Enquanto o outro racionaliza, e faz de tudo pra se proteger, o apaixonado inveterado, exige um pouco mais de alma.

Juntos, ambos lutam diariamente a guerra silenciosa do amor. E enquanto o apaixonado inveterado se rende e se entrega, o outro é que vê-se acuado, sentindo-se aprisionado.

Quando se esbarram pelo caminho, o outro e o apaixonado inveterado, eles algumas vezes tentam. O apaixonado inveterado se esforça pra trazer o outro consigo pra dentro da tempestade de descargas emocionais e químicas que chovem dentro dele. O outro, receoso de se molhar, veste capa, galochas e entra na chuva sem querer se molhar.

O tempo implacável passa, e a convivência se torna difícil. O apaixonado inveterado chora, enquanto o peito do outro se fecha ainda mais com medo de também sentir-se vulnerável.

Até que um dia, um dos dois se cansa de lutar uma guerra de sacrifícios ingloriosos. No fundo, os dois sabem que o amor não deveria exigir tanta luta.

Geralmente, é o outro que deixa o apaixonando inveterado, por medo de cada vez mais magoá-lo. Algumas vezes, mais raras, o apaixonado inveterado é quem vai embora, cansado de pedir pra que o outro abra a porta da frente, e se vendo ser guiado ao jardim dos fundos como resposta.

Independente de quem desiste primeiro, ambos sofrem e lamentam o fracasso.

O outro, vê na situação a confirmação de estava certo em manter seus receios e cuidados.

O apaixonado inveterado começa a perceber que talvez fosse ele que estivesse errado, e promete que não procurará uma próxima, mas que se uma próxima houver, será mais reservado.

Enquanto o outro segue sua vida como antes, o apaixonado inveterado muda. Se lembra das palavras que ouvia do outro, e começa a acreditar que o outro é que estava certo, e a partir daí, ao primeiro sinal de que vai começar a chover de novo, se mune de capa e galocha, e escolhe as marquises seguras da razão pra caminhar embaixo.

Deixou de ser um apaixonado inveterado, agora ele é também um outro...

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Online

Domingo, 6 horas da tarde. Tédio.
Ela pega o celular, clica no ícone verde do aplicativo de mensagens. Procura na lista de contatos, selecionando aquela janela que há pouco tempo atrás estaria no topo de suas conversas, e nunca mais sinalizou uma nova mensagem.

18h03, mesmo dia, mesmo tédio, outro canto da cidade. Ele acaba de responder em um grupo sobre um trabalho a ser apresentado dali há alguns dias. Abre a aba de contatos e lê o nome dela. Abre a janela, e abaixo do nome lê "online". Pensa em digitar um oi, pensa em como iniciar uma conversa, pensa em dizer que sente a falta dela, mas apenas pensa, quando de repente vê o "online" ser substituído por "escrevendo..."

18h04. Jogada de qualquer jeito no sofá da sala, ouvindo nos fones a música que sempre a fizera lembrar-se dele, digita com uma mão, enquanto a outra leva o cigarro à boca: "sinto tanto a sua falta, bem que você podia me chamar...". Dá um sorriso pro "online" abaixo do nome dele, e continua "...sei que você está aí, me chama, vai!". Seu polegar corre a tela até o botão de envio, mas sem hesitar, apaga as palavras escritas, e suspira olhando pro teto.

18h10. Ele vê o "escrevendo..." abaixo do nome dela, voltar ao "online" anterior. Dá um meio sorriso, esperando a mensagem, que não chega. Abre a foto dela, (in)felizmente não clica "sem querer" no botão de chamada de voz do canto superior, e observa que ela não sorri na foto preta e branca do perfil, assim como não sorria nas últimas três fotos dela que ele vira ali nas últimas semanas. O cabelo está mais curto, a maquiagem pesada, e a frase do status é a mesma que ela agora carrega tatuada no peito. Enquanto ele repara na foto, o "online" dela desaparece. Ele bloqueia a tela e volta sua atenção ao jogo do seu time na TV do quarto.

18h02. Ela troca a faixa da música, ouvindo o conselho sábio de mother Mary, let it be, let it be, let it be. Abre a foto dos dois sorrindo na piscina, e lembra de como era gostoso vê-lo sorrir daquele jeito depois de ouvi-la dizendo uma gracinha qualquer. Lembra de como gostava da sobrancelha dele, e do quanto as unhas sempre roídas dele eram bonitinhas. Não sabe porque ainda não apagou a foto, mas sabe que era o que deveria fazer e seguir em frente. Volta ao aplicativo de mensagens e vê que ele não está mais online. Responde que não pro convite das amigas do grupo pra uma cerveja, porque precisa estudar, mas ao invés disso, abre o editor de textos e começa mais uma carta que nunca será lida por ele.

18h25. O telefone dele notifica uma mensagem recebida, e ele checa desejando que fosse ela. Não é, e ele sequer responde. Joga o telefone de lado, e tenta se concentrar no jogo, mas não consegue. Pensa na última conversa que tiveram cara a cara, se lembra e sente muito pelos olhos vermelhos dela depois de ouvir o que ele tinha pra dizer. Se levanta pra buscar uma cerveja na geladeira, e ouve o celular notificar novamente, mas não se preocupa em checar. Dificilmente seria ela. Volta com a cerveja, coloca o telefone no silencioso, sem sequer olhar pra nova mensagem.

18h27. Ela para de escrever a carta na metade e decide falar com ele, tentar pela última vez. Digita um oi, envia, e aguarda uma resposta ansiosamente, pra enfim poder falar sobre o que sente.

18h31. Ele sai para comprar cigarros, deixando o telefone jogado em cima da cama. No caminho, encontra um amigo que o convida pra tomar algumas cervejas num bar do Centro da cidade. Ele resolve ir, mesmo odiando sair aos domingos.

20h55. Ela já tomou banho, derramou duas lágrimas, e resolveu encontrar as amigas num bar do Centro da cidade. Antes de sair, apaga o número dele da agenda do celular, depois de bloqueá-lo no aplicativo. Ela não se arriscaria mais a procurá-lo de novo, a ser ignorada de novo.

21h. Ele se despede do amigo, que o deixara em casa. Entra no quarto, e pega o celular, em meio ás mensagens dos grupos, um "oi" deixado por ela algumas horas atrás. Ele responde animado "Oi! Tudo bem?"

O celular dela não notifica.

No dele, nenhum risquinho confirma a mensagem recebida.

Ele balança a cabeça.

Ela, engole de uma vez, o copo cheio de cerveja, mas o que amarga mesmo é a saudade que sente.

Ele desiste de esperar a resposta dela e vai tentar dormir.

FIM (?)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Vende-se tudo que é comprável

Queimaram a vida
Acabou o mundo de cores
Extinguiram os perfumes das flores
Água podre na terra do cinza
Esgoto, lixo entre outros odores

Comprem suas drogas
Tem da preta e da vermelha
No Brasil tem tarja amarela também
Compre a pílula e ganhe a doença
Cocaína, cafeína e nicotina
Largo todas pela fluoxetina

É difícil ser saudável
Em alguns lugares chega a ser ilícito


Vinícius Vieira Deiró