Ahhh! O amor...
Eu acredito piamente no amor. Não consigo imaginar uma vida sem ele.
Mas embora acredite no amor, também acredito que há maneiras e maneiras de vivê-lo. Acontece que pra o amor se desenvolver, uma dose forte de equilíbrio é necessária, e percebi que neste ponto, alguns nunca conseguem alcançar esse equilíbrio.
Há aqueles que pecam pela falta. Há outros, que pecam pelo excesso. Enquanto os primeiros erram por não conseguirem sentir, ou mesmo que sintam, não conseguirem se deixar levar, os segundos falham miseravelmente por não conseguirem controlar suas explosões de sentimentos. Aos primeiros, eu chamo os outros, aos segundos, apaixonados inveterados.
E o pior acontece, quando os dois tipos se encontram... Enquanto um mergulha fundo nas profundezas do amor e do desejo, o outro pede calma. Enquanto o outro racionaliza, e faz de tudo pra se proteger, o apaixonado inveterado, exige um pouco mais de alma.
Juntos, ambos lutam diariamente a guerra silenciosa do amor. E enquanto o apaixonado inveterado se rende e se entrega, o outro é que vê-se acuado, sentindo-se aprisionado.
Quando se esbarram pelo caminho, o outro e o apaixonado inveterado, eles algumas vezes tentam. O apaixonado inveterado se esforça pra trazer o outro consigo pra dentro da tempestade de descargas emocionais e químicas que chovem dentro dele. O outro, receoso de se molhar, veste capa, galochas e entra na chuva sem querer se molhar.
O tempo implacável passa, e a convivência se torna difícil. O apaixonado inveterado chora, enquanto o peito do outro se fecha ainda mais com medo de também sentir-se vulnerável.
Até que um dia, um dos dois se cansa de lutar uma guerra de sacrifícios ingloriosos. No fundo, os dois sabem que o amor não deveria exigir tanta luta.
Geralmente, é o outro que deixa o apaixonando inveterado, por medo de cada vez mais magoá-lo. Algumas vezes, mais raras, o apaixonado inveterado é quem vai embora, cansado de pedir pra que o outro abra a porta da frente, e se vendo ser guiado ao jardim dos fundos como resposta.
Independente de quem desiste primeiro, ambos sofrem e lamentam o fracasso.
O outro, vê na situação a confirmação de estava certo em manter seus receios e cuidados.
O apaixonado inveterado começa a perceber que talvez fosse ele que estivesse errado, e promete que não procurará uma próxima, mas que se uma próxima houver, será mais reservado.
Enquanto o outro segue sua vida como antes, o apaixonado inveterado muda. Se lembra das palavras que ouvia do outro, e começa a acreditar que o outro é que estava certo, e a partir daí, ao primeiro sinal de que vai começar a chover de novo, se mune de capa e galocha, e escolhe as marquises seguras da razão pra caminhar embaixo.
Deixou de ser um apaixonado inveterado, agora ele é também um outro...
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