segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Ego natimorto

A minha vontade, é uma não vontade. O meu desejo, é um não querer.

O copo jaz pela metade no criado mudo ao lado esquerdo da cama, a luz do abajur e a garrafa vazia tombada no chão são testemunhas da dor.

Um maço de cigarros vazio, e outro recém aberto já quase chegando ao meio. Flameja a luz do isqueiro, e o ambiente é preenchido pelo característico aroma do THC.

Três tragos longos, seguidos de um pigarro, e depois a sensação de leveza e paz. Um sorriso ou dois olhando a fumaça desenhando figuras abstratas na sombra da lâmpada fraca do abajur.

Um pensamento recorrente desponta.
A minha vontade já nasce morta, assim como o ego que um dia foi meu.

O som da voz de Jim Morrison ecoa:

The killer awoke before dawn, he put his boots on / He took a face from the ancient gallery / And he walked on down the hall *

Mais 3 tragos longos. Um meio sorriso apenas. E as lágrimas finalmente rolam.

Não sei de se é tristeza, culpa ou apenas saudade. Mas sei que dói.

Não há mais fotos, nem planos, nem saída. Não tem mais jeito. Não tem mais amor.

Existem as lembranças, que ao mesmo tempo estancam e sangram a ferida. Não cicatriza, não passa, dói, só dói.

Pulsão dominante: de morte.
Não demora, é só mais um corte.

Doeu.
Escureceu.

Acabou.

(Sereia Pessoa)

* O assassino acordou antes do amanhecer, calçou suas botas / Pegou um rosto na antiga galeria / E seguiu pelo corredor (The End - The Doors)

sábado, 12 de setembro de 2015

Armadilha


Intelectualidade não traz felicidade
a sabedoria não se encontra nos livros da estante
estes, nada dizem de muito importante
servem apenas para aqueles que não sabem ler
a grande dádiva da vida que é viver

Diplomas não me deixam mais interessante
sabedoria de vida, é o conteúdo mais relevante
nossa existência não comunga com a razão
fique em silêncio e escute seu coração
não se iluda com intelectualidade nem com a iluminação

O homem que se diz sagaz, que se diz esperto
corre o grande risco de manter a estupidez sempre por perto



Vinícius Vieira Deiró

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Quanto vale ou é por quilo?

Em silêncio absoluto
Com os olhos e ouvidos cerrados
Eis que me surge uma questão
Quanto vale uma dose de vida?
Pra quem não sabe a medida
Faz da própria vida uma grande confusão


Vinícius Vieira Deiró

domingo, 6 de setembro de 2015

Serra dos Doze


Subir na vida
É chegar ao topo do monte
Auto realização
É beber água da fonte
E diante do extenso horizonte
Expandir a consciência e a visão
Compreender a existência
E se ver tão pequeno
Frente a tanta imensidão



Vinícius Vieira Deiró

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A flor e o palhaço

palhaço sem picadeiro
sem publico, nem alegria
sem  sua flor
a criatividade morre de asfixia

Musa inspiradora
não é privilégio da poesia
E no amor
que o palhaço se inspira
e compartilha sua alegria

Palhaço sem flor
piada sem amor
a lagrima que caiu
não trazia o sorriso
mas acompanhava a dor
escorreu pelo rosto
borrou a tinta bicolor

Palhaço sem amor
Piada de dor.



Vinícius Vieira Deiró