terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Perdão

Pai nosso que habitais o céu
santifique o meu pecado
pois nele eu me superei
e vim a ser humano

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Lagarta

reza a lenda
que a lagarta passou sua vida
sonhando em criar asas
e bailar pelos ventos
como uma bela borboleta
empanturrou-se então na lavoura
construiu seu casulo
e tornou-se...
uma horrenda mariposa

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Sonho de sol

Queria ter jeito de estrela
Mas sou cinza quente
Depois que fogueira apaga
Sem brilho
Sem cor
Coberta do calor
Que permanece quando tudo passa


Sem chance de começo
Muito pra lá do meio
Perto demais do fim.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

E agora José?

e agora José?
a luz ascendeu
o dia da festa chegou
o clima esquentou
e agora José?
você que se diz tão mundano
que tem construído seu nome
vai revelar a realidade
ou vai cobri-la com um pano?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Confissões

ô grande homem de Deus
venho hoje confessar meus pecados
enaltecer minha coragem
e dividir minha culpa.
vá homem santo!
com suas mãos sujas e calejadas
leve meu fardo pesado de Homem mundano ao Pai

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Sonho de vagabundo

troco minha casa
por um par de asas
dou também um pote de mel
para voar livremente pelo céu
troco meu tênis imundo
por pernas fortes
capazes de atravessar o mundo
troco minhas aquarelas
matéria prima de arte e beleza
por cores vivas, ar puro
e toda divindade da natureza
dou minha mochila vazia
por bons amigos em caminhada
abençoando-me com suas companhias
troco todas as gaiolas e coleiras
por todas as vidas livres e salvas
pelo verde vivo e um banho de cachoeira

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Quem delira sem ter febre?

eu deliro
sem ter febre
deliro sim
porem não sigo a lebre

meu delírio
não é de grandeza
nem de perseguição
muito menos de riqueza

meu delírio é assim
é pequenez
é delírio sim
com muita lucidez

frente ao macro
eu sou micro
não sou macro
frente ao micro
harmonia e humildade
no mundo globalizado
parece valor ultrapassado
foge a nossa realidade

por isso deliro
deliro e não derramo sangue
mas espalho flores
perfume contra os odores

façamos uma viagem coletiva
torne sua mente mais seletiva
e dê lírios você também.

Receitinha de felicidade: Ela nunca fez


Sentou e quis ficar descalça. Os pés já estavam cansados demais do sapato apertado. Ela só queria sentir a brisa que batia leve entre as folhas e os dedos. O dia veio acompanhado daquela pergunta outra vez. Era a cobrança pela felicidade batendo na porta da vida de novo.

A questão é que sempre chega um dia em que todo mundo espera que algo mágico já tenha acontecido. Todos perguntam sobre o grande amor da vida, os filhos e o lindo diploma que deveria estar pendurado na parede. Ela nunca entendeu como estes poderiam ser os ingredientes secretos da fórmula da felicidade.

A moça sempre achou que dava para viver bem assim, só com os pés no chão e nada mais. Mas o martelo da felicidade insistia em bater naquele prego sem cabeça. Eram as perguntas da família, o chá-de-bebê da amiga em que o assunto principal eram as crianças e o vestido de noiva na capa da revista no consultório do dentista. Tudo era só mais um jeito chato de dizer que faltava alguma coisa. Mas ela não sentia falta de nada.

As bonecas da infância eram plástico de brincar. “Sei lá, a Barbie nunca precisou do Ken para continuar a sorrir”, pensava. As panelinhas eram um recado que saber cozinhar é importante para não morrer de fome, atolada na conta do restaurante ou com o freezer cheio de congelados. Para ela, nada disso era um treino para a dona de casa feliz que deveria estar escondida no seu inconsciente infantil.

A chegada da vida adulta exigiu um diploma. Este era o primeiro passo para realizar o plano infalível de ser feliz. Os pais queriam uma advogada, mas ela achou que história era suficiente para fazer dela alguém melhor. O diploma não foi parar na parede.

Nunca se sentiu infeliz no pequeno apartamento que tinha. A luz da lua que batia na cama já era suficiente para fazê-la sorrir. Por que precisaria de mais? Não precisava. Não entendia a pena que todos sentiam ao olhar para ela, que no alto da sua maturidade sabia viver bem com sua própria companhia. Não sentia triste pela falta daquilo que nunca quis.


Tentou pensar na pergunta que a deixara cansada, mas a noite ia chegando, tinha combinado uma cerveja com a melhor amiga. Antes de levantar, quis sentir um pouco mais da grama, afundou os dedos para aproveitar melhor e então calçou os sapatos. Já ia embora quando pegou uma folha, sentiu o perfume e sussurrou: “Ah, não tem receita. Esse é o cheiro da felicidade”.

É sempre sobre você

Abro o aplicativo de textos no celular. Estou no ponto de ônibus, com tempo de sobra e me sobra vontade de escrever.

Eu queria escrever sobre música, cinema, sobre uma peça de teatro, sobre a sociedade, sobre a vida, o universo e tudo o mais, mas quando meu texto toma forma e as letras se juntam em palavras, só consigo escrever sobre você.

Não que eu não goste de escrever sobre você, mas é que essa criatividade monotemática me cansa, sabe? Tudo bem que é uma canseira gostosa, maaaaas, sei lá, fica chato.

Não é como se você dominasse todos os meus pensamentos, embora todo mundo saiba, menos você talvez (e só talvez), que é tema de boa parte das minhas conversas, das minhas lembranças, dos meus pensamentos, e até dos meus textos com os quais eu sei que você não se identifica.

Mas sim, foi sobre você. Até quando não foi, tem mesmo um tanto de você ali.

Porque você está em tudo que eu faço. Está no ar que eu respiro. Nas frases criativas, e mais ainda na mais clichê que eu uso. Está nas minhas gírias, nas minhas roupas, na minha maquiagem, e até na cor que escolho pra pintar o meu cabelo, que mesmo com toda minha insistência, se nega a aceitar o tom que eu quero de vermelho.

É tudo sobre você, cara! Poxa! Você é mesmo um chato.

Já me rendeu olheiras, insônias, muito riso e muitas lágrimas, muitas alegrias e um tanto de dor.

É sempre sobre você, sempre. Mesmo que eu esteja falando de algo completamente aleatório, tem um muito de você em cada uma de minhas palavras.

Acho que isso é um vício! É isso, você é mesmo uma droga. A mais alucinante de todas, a mais viciante de todas.

E tenho certeza que não é só comigo, porque quando ando na rua, quando leio outros textos, quando as pessoas falam comigo, é sempre sobre você, mesmo quando parece não é. Será um delírio?

Talvez eu esteja mesmo louca, te vendo em todas as partes. Mas eu gosto mesmo é de acreditar que tudo no mundo é sobre você.

Ahh! Amor, você é mesmo o centro de tudo.

E mesmo que me digam que você não existe, mesmo que eu queira falar de outras coisas, mesmo quando você teimar em me dizer que está acabado, cada palavra que sai da minha boca, cada linha de cada texto que eu escrevo, cada brilho que se acender em meus olhos, sempre foi, e sempre vai ser sobre você.

O que!? Você achou mesmo que era tudo sobre um cara? Não, AMOR, expresso sobre todas as suas inúmeras formas, é sempre sobre você.