A minha vontade, é uma não vontade. O meu desejo, é um não querer.
O copo jaz pela metade no criado mudo ao lado esquerdo da cama, a luz do abajur e a garrafa vazia tombada no chão são testemunhas da dor.
Um maço de cigarros vazio, e outro recém aberto já quase chegando ao meio. Flameja a luz do isqueiro, e o ambiente é preenchido pelo característico aroma do THC.
Três tragos longos, seguidos de um pigarro, e depois a sensação de leveza e paz. Um sorriso ou dois olhando a fumaça desenhando figuras abstratas na sombra da lâmpada fraca do abajur.
Um pensamento recorrente desponta.
A minha vontade já nasce morta, assim como o ego que um dia foi meu.
O som da voz de Jim Morrison ecoa:
The killer awoke before dawn, he put his boots on / He took a face from the ancient gallery / And he walked on down the hall *
Mais 3 tragos longos. Um meio sorriso apenas. E as lágrimas finalmente rolam.
Não sei de se é tristeza, culpa ou apenas saudade. Mas sei que dói.
Não há mais fotos, nem planos, nem saída. Não tem mais jeito. Não tem mais amor.
Existem as lembranças, que ao mesmo tempo estancam e sangram a ferida. Não cicatriza, não passa, dói, só dói.
Pulsão dominante: de morte.
Não demora, é só mais um corte.
Doeu.
Escureceu.
Acabou.
(Sereia Pessoa)
* O assassino acordou antes do amanhecer, calçou suas botas / Pegou um rosto na antiga galeria / E seguiu pelo corredor (The End - The Doors)
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