A arte de perder é o maior de todos os mistérios
Tantas coisas contêm em si o acidente de perdê-las
E tudo
isso me parece muito sério
Perco um pouquinho a cada dia
Como aceitar as chaves perdidas e as horas que gastei?
A arte de perder é o maior de todos os mistérios
Então fui perdendo mais rápido e ainda com menos critério:
Se foram os lugares, os nomes e a escala
Da viagem que eu
quis fazer. Isso é muito sério
Dei adeus ao relógio da mamãe
Ah! Não consigo esquecer de três vidas excelentes
A arte de perder é o maior de todos os mistérios
Porque eu já perdi uma boa dúzia de cidades lindas
O sonho do império, os rios e os cinco continentes
Tenho saudade de querê-los. E isso é muito sério
– Mas perder você (sua voz e o riso que tanto amo) foi o que
mais mudou em mim
Pois é evidente que a arte de perder é o maior de todos os
mistérios, por mais infinito que seja
(continuo) muito sério
(Livre adaptação do poema “One art”, de Elizabeth Bishop - http://www.poets.org/poetsorg/poem/one-art)
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